AMIGOS de ANDRÉ MUSTAFÁ

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

II Festival Cultural da FEAC



DE ONDE ELES VIERAM?
Campinas nos agracia com um espetáculo vivo!!!



O casamento deu muito certo. O público no dia 23 de novembro, foi muito bem guiado e guiou os atores mirins no II Festival Cultural da FEAC - Federação das Entidades Assistenciais de Campinas. O Evento foi no Teatro do Shopping Iguatemi, área nobre de Campinas e reuniu diversas entidades assistências da Cidade e principalmente as famílias. Sim!!!! No horário nobre das 20:00 horas o teatro lotou de familiares que como no rito do teatro se prepararam desde suas casas para ver seus filhos, sobrinhos e parentes em cena. Em cena!!!! Vieram de longe, deixando o cansaço de lado e a comodidade das televisões para apostar nos resultados que a arte promove em suas vidas. E promoveu nitidamente.




O Espetáculo Flicts é uma adaptação do livro infantil ilustrado do escritor, desenhista e cartunista Ziraldo. Conta a história de uma cor “diferente”, que não consegue se encaixar no arco-íris, nas bandeiras e em lugar nenhum, e que ninguém, a princípio, reconhece seu merecido valor. Ao longo do espetáculo, Flicts vai se conformando que “não tinha a força do Vermelho, não tinha a imensidão do Amarelo, nem a paz que tem o Azul”. Contudo, o texto de Ziraldo presenteou o público uma fantástica mensagem de caráter e respeito, dando a entender que todas as pessoas por mais diferentes que sejam, possuem seu lugar no mundo.



A primeira boa impressão que tive, foi quando cheguei na porta do teatro: Muita gente bonita, de todas as idades, ainda esperando para adentrar no espaço lúdico, com ansiedade e expectativa. A FEAC fez milagre para acomodar tanta gente e acredito que ninguém ficou do lado de fora... Mas enfim os que se acomodaram foram presenteados com um espetáculo ímpar.

O Terceiro sinal do teatro não veio, o que entrou em cena, lá próximo do publico, em um proscênio intimo, sem barreiras, foi uma mestre de cerimônia, uma brincante, que trouxe concentração de cena com o seu carisma e brilho contando um conto e aumentando um ponto. Sem muitas firulas com linguagem que todos silenciaram as mentes e abriram os corações. Silencio, vai começar o espetáculo!!!
!



Pontos fortes do espetáculo foi a musica que em muitos momentos tocada ao vivo pelas crianças e adolescentes deram um show a parte. Eles entremeavam instrumentos tradicionais como repiques, timbais, pandeiros, surdos, guitarra, flautas, derbakes, carrons e contra-baixo. Mesclando com a execução de uma percussão contemporânea em vasilhames, baldes e latas tendo influencia direta de grupos como o InglêsStomp. Apreciar crianças de 8 à 10 anos tocarem no ritmo foi o máximo: e olhem que estou falando de mais de quarenta crianças juntos ritmadas e se ouvindo. Coisa que muito adulto não desenvolveu essa capacidade de se ouvir... de se olhar. Foi um alimento pra alma. 

Sobre os figurinos e maquiagens fluía com leveza entre os corpos. Tudo parecia confortável para nossos jovens atores e atrizes que com dinâmica no espaço, equilibrando as entras e saídas de cena sem deixar o chamado “furo”, “vazio” entre uma cena e outra. Lindo mesmo!!! Meninos e meninas, crendo em suas falas, suas personagens, criando climas e espacialidades; sem o auxilio de marcações no chão com fita crepes ou fitas luminosas. Não sentíamos falta de um cenário. A dinâmica da movimentação criou muita luz e cor que tudo coloriu e matizava de guache.



Destaque para o trabalho de falas em uníssonos, que diga-se de passagem muito trabalhoso e que com certeza absoluta solicitou da equipe técnica e diretores de cena muitos ensaios. Não é fácil. Mas funcionou muito bem e aquelas crianças mais tímidas foram se ampliando e gostando de pisar no palco. O que de fato provocou nas crianças em cena? Nunca saberemos. O que essas crianças levam de bagagem para a vida que outras tantas não conseguiram perder o medo e zilhões de barreiras e subir no palco? auto-estima? Coragem!? Trabalho em equipe? Desejos e mais desejos... nunca saberemos. Mas uma coisa é certa. Foi despertado algo muito positivo.

Os pontos a melhorar, para não dizer que não tiveram, foi a luz caçando o menino em cena. A meninada deu um nó nos técnicos de luz. Alguns momentos deixavam a galerinha no escuro. Mas isso não retirou o brilho e luminosidade do todo. Em alguns momentos a luz não valorizava a encenação ou mudava bruscamente as intenções: o iluminador estava perdidinho e não ajudava os milhões de pais fotógrafos amadores com seus celulares que deixaram os cliques acabarem suas baterias a procura do melhor angulo. E alguns momentos bem pontuais a voz não se ouvia, mas não por falta de projeção dos pequenos artistas, mas pela comoção dos aplausos do publico que vibrava a cada momento com o time de cada piada ou fala embargada dos pequenos interpretes.



Editado no mesmo ano em que o homem foi à Lua pela primeira vez, Flicts é uma daquelas obras que resistem ao tempo, tal como a viagem de Neil Armstrong, que confirmou: “a lua é Flicts”. Flicts também encontra seu lugar: a Lua e nós, a platéia, nos unimos a Flicts em um sonho lunar.

(André Mustafá, diretor teatral e arte educador / atualmente presta serviços ao Instituto Padre Haroldo). E-mail: andreerenatta@gmail.com (zap 19.98185-7071)



quinta-feira, 29 de setembro de 2016

DESAFIOS DA ESCOLA


DESAFIOS DA ESCOLA

"Vivemos o desenvolvimento tcnologico, mas ao mesmo tempo imaturidade politica e social". (prof. Rui Canário / Universidade de Lisboa)
Arvore dos desejo ou guarda-chuva dos sonhos. Exposição Trilhas realizado no
Instituto Padre Haroldo, aprendendo com sensorialidade.



Essa imaturidade é consequencia do modelo escolar. A escola produziu imaturos politicos-sociais. Até a década de 50 a escola voltou-se (aqui no Brasil) para a reflexão e o pensamento (a formação era ampla - filosofia, arte, sociologia...) era uma formação abertae reflexiva. No entanto era uma escola elitista, voltada para poucos. A escola estava preocupada em desenvolver líderes "doutores". Esse mecanismo de exclusão da educação era o prêmio aos melhores.

Com a industrialização as pessoas precisaram minimamente saber ler e escrever. Nasce a escola de massa e o modelo dessa escola é a escola de fábrica. Agora a escola é sériada e os conteúdos são chamados de disciplina. É o sentido da palavra disciplia é rotina. Portanto disciplina é um metodo pelo se conforma o sujeito ao objeto. A criança não pode comer o brigadeiro antes de cortar o bolo. Sabe la porque! As aulas agora só tem 50 minutos. Você já imaginou dar uma aula de arte em 50 minutos? Quando os alunos começam a entrar no assunto toca o sino da escola (e observem que sinal sonoram também é coisa de fábrica). A nossa escola segmentou o maximo o saber e isso é caracteristica da linha de montagem das fábricas.




Outra segunda caracteristica de nossos tempos: a escola como reformatório ou escola como uma prisão (Regime Militar) o que o nosso curriculo como "grade escolar", ou "grade curricular" está querendo dizer por trás disso? Por trás disso meus senores temos as "disciplinas" as avaliações são chamadas de "provaas" ou seja, você é um condenado: cheg na avaliação condenado e tem que provar que você é inoscente e ai você passa de ano. Você vai ser absolvido. Esse tipo de escola tinha o desejo de produzir na sociedade: 1) - passividade, 2) - disciplina, 3) - ausência de uestionamento crítico e 4) - repetição e não criação de conteúdo. A arquitetura dessas escolas são alas isoladas, com grandes corredores, totalmente vigiada e monitorada... as escolas não tem arejaento entre os processos, assim perdemos a noção de conjunto, unidade, praticipação, relacionamento. A escola se tornou um espaço isolado.


A carcteristica de escola como prisão/reformatório é afastar nossas crianças das ruas: porque se entende que nas ruas tem violências, drogas... A escola é culpada de tudo isso? Do que acontece na sociedade? É na escola que se pode resolvero problemas das drogas, por exemplo? Mas onde está a produção de conhecimento e discussão? É quase uma penalidade das crianças estarem na escola. As crianças estão nas escolas cada vez mais tempo (tempo integral). Mas se a escola é isolada do mundo, fragmentada, voltada para discipplinas com uma hierarqui absurda onde o aluno deve respeitar o professor, mas o professor não respeita o aluno, como o aluno vai aprender cidadania? Ética? Cidadania não exige que as pessoas vivaam na cidade? 

A Escola não vai a cidade. A nossas escolas não frequentam museus, não frequentam parques... toda escola deveria, antes de tudo, ter onibus, para levar essas crianças a rua. olhar o mundo. Tira-las das paredes da sala. Não precisa ser somente um museu ou parque, o seu manoel da padaria para ver fazendo pão? Como podemos aprender a formar um ser humano se ele isola-se do mundo em 4 paredes. Uma escola fragmentada e passiva. Onde será que o conhecimento encontra-se com a vida? Aprende-se e decora-se todos os afluentes do rio amazonas, mas nunca estivemos lá.

André Mustafá terminando a cabeça do minotauro. Espetáculo junto com os jovens no final do ano.


Todo o mundo tem influência do idealismo plaatônico: quanto mais o meu conhecimento é abstrato, mais distante ele é dos processos e maior ele é? Exemplo disso, é em uma aula de botânica, são os professores que preferem o quadro em um desenho de planta, do que abrir a janela e mostrar a planta. É importante o acontecimento e a vida. Ser´que conhecer profundamente uma coisa é possivel? Msmo superficialmente, conhecer algo, é possivel? Com esse sistema escolar... é possivel? Será que esse grau de abstração é realmente elevado de conhecimento? Essas são perguntas que precisam ser feitas ao professor. Porque o professor vai para rua e parques e não foi antes? Vai a esses lugares, pela valorização das idéias e não da vida. Isso caracteriza abstração do pensamento. O processo de abstração do pensamento privilegia a palavra e unida a uma escola fragmentada, isolada da sociedade, que promove a passividade e acumulo de conhecimento abstrato, chamamos essa escola de "conteudista". Assim é o perfil do cidadão que temos hoje.

Como você quer que uma pessoa perceba que jogar um papel no chão, vai entupir o esgotto e a agua vai subir e entrar na casa dela ou de outras pessoas? Porque isso (não parece) mas é um processo de alta complexidade. É preciso que nós sejamos capazes de perceber o todo para falar de meio ambiente por exemplo, porque se não vira um discurso vazio, decorado (como as provas das escolas). Decorar o discurssão de não jogar o papel no chão torna as crianças paranóicas. Então começamos a acreditr que somos seres realmente isolados quando nao conseguimo ver o todo. Quando sentamos nas cadeiras nas salas de aula o que vemos por longos anos é a nuca da criança ou adolescente da frente.



Ética não pode ser pensada como: "vou ser bo para a sociedade". Não!: ser ético é cuidar de si mesmo; percebemos as coisas isoladas porque é caracteristica do ser humano contemporâneo; de associar coisas, de juntar o que é semelhante e aí damos sintese. Mas as coisas em si estão conectadas. Ético é um ser humano que entende que cada gesto dele tem um desdobramento infinito e que ese desdobramento vai recair sobre ele, não como uma culpa, mas como consequencias de uma cadência de coisas e ações anteriores. Ético é um ser humano que entende que não há nada isolado e por isso presta atenção nas pequenas coisas. 

A segmentação do saber é um processo de alienação. Alienação é um conceito de que alguem produz algo desvinculado do seu processo de vida. A escola é um espaço de alienação. O tempo inteiro, vinte e quatro horas por dia, a escola reinventa a alienação, por isso a escola é um espaço de alienar individuos. Assim qual o sentido da educação? Como uma escola pode formar alunos para pensar por sí próprios? Como o aluno pode aprender a ser extraordinário, fantástico e genuino? As crianças quando bem pequenas vão para suas scolinhas e tem contato com agua, cheiro, cores, plantass... fazem hortas e depois quando võ para o ensino fundamental ficam duas horas sentados e saem para o intervalo e depois voltam e permanecem entados por mais duas horas sentados. Isso é uma passividade do corpo inacreditável. É a abstração do pensamento. Andar não se aprende andando, se movimentando? Como podemos aprneder algo parado? Isso produz uma pessoa alienda, distante dos processos sociais. Incapaz de interferir na sociedade. 

André Mustafá em ampliação de repertório sobre cultura negra

O problema meus senhores e minhas senhoras e mais profundo: disrespeito a nossa humanidade. A humanidade precisa sari de sua eterna adolescencia. Alegria é compartilhar, então porque essa segmentação? A escola nos forma para que? Como pensar no todo em uma escola fragmentada? Quais as questões do mundo hoje? Aquecimento global. Essa questão trouxe de volta o mundo. Se isso não existisse cada um continuaria vivendo olhando para o seu umbigo e deprimido. Porque depressão é falta de vida. Falta de força. Felimente essa questão ambiental, veio puchando essa questão planetária. Saímos do período da expanção maritima e descoberta de novos continentes, para uma questão galática. Isso não é coisa de doidão. É saber onde você está no mundo. Qual é realmente o seu endereço sideral.

Essa pessoa que vive deslocada de sua sociedade e das relações. Onde se dá o retro-alimento? Onde se recarrega as baterias? Se uma pessoa não entende que ela pode lidar com os complitos e com as contradições e porque não coneseguem entender que exercitamos, desde muito sedo, a entender que nossa linguagem e nosso pensamento não nos deixará. Porque o "cala a boca menino", "não mexe nisso garoto", "tira a mão disso"... produziu a apatia e nos colocou em conservas dramaticas. Como esse adulto vai se relacionar com o mundo? Agora em nosso modelo cognitivo, tem um tal de planet que ninguem esquece. Se o problema vem universal e eu vou fragmentado, como eu lido com esse questão? Eu não vou lidar.

André Mustafá preparando uma aula sobre simbolos adinkras 



A primeira caracteristica dessa processo e a sensação de impotencia. O problema (por exemplo) de aquecimento global nos imppulssiona a uma encruzilhada: ou redirecionamos a sociedade para novos modos de vida, ou não existirá sociedade. Essa encruzilhada é comflitante mais é maravilhosa. 

ARTE NAS ESCOLA - SAÍDA DAS ENCRUZILHADAS

" se você não tem duvidas, você está mal informado' milor fernandes.

Sabedoria ou sábio é aquele que duvida. Mas onde tenho a experiencias de errar, de criar duvidas ou novos caminhos? É na Arte (continua em outro artigo).


André Mustafá pintando a barriga da esposa. Paixão viva!!!


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

MOVENDO UMA MONTANHA SÓ NO SONHO

PREZADOS LEITORES

Vou contar a vocês uma ficção, o professor Jivago é o nosso personagem ficcional e trabalha na Instituição Maluco Beleza. Em uma cidade tão tão distante.

 A Instituição Maluco Beleza queria muito trazer arte (teatro) para suas crianças e adolescentes, mas a coordenação do local não imaginava o quão perigoso era a tarefa da Arte: de despertar nos jovens o exercício da autonomia intelectual, critica e criativa. A coordenação da Instituição pensou que o nosso personagem fictício Jivago não era um educador (um arte-educador... um artista) e sim cuidador de crianças. Daquele tipo que escova dentes e enxuga as mãozinhas dos meninos, serve as refeições e coloca as crianças para um cochilinho vespertino após o almoço...uma sonequinha de sonhar manso.
Dr. Jivago acordando as crianças para Arte.
Dormir, só se for para sonhar profundo...

Jivago pelas crianças e adolescentes da Instituição Maluco Beleza era chamado de tio e não de professor ou educador. A Equipe que estava na Instituição por longos anos nem ligava, se as crianças chamam de tio, professor... mas Jivago sabia por Paulo Freire que"Tio" era parente com responsabilidades diferentes do educador e também a do professor: professor (professava sua verdade e educador partilhava conhecimentos. A ESCOLA FORMAL escolariza e ONGs desenvolviam atividades extra-curriculares se esforçando para desenvolver habilidades sensoriais para além das disciplinas formais). Jivago pensava ser um profissional que tinha estudado longo anos na universidade para depois aplicar  e principalmente partilhar seus conhecimentos na prática... xiiiiiii.... nada disso. Jivago alem de tudo, tinha dias para a lavagem das garrafas e copos da merenda usados pelas crianças no final do dia. Se não limpasse direito, no dia seguinte recebia bronca e questionamentos da própria cozinheira. Mas Jivago ficava a pensar: "_ quem lava os meus pincéis e vasilhas quando dava aulas de pinturas aos jovens?"...  Alguma coisa estava fora da ordem e ninguém mais sabia delimitar o seu espaço de trabalho. Todos na Instituição Maluco Beleza eram educadores por essência e podiam ensinar aos educandos qualquer coisa a qualquer momento. Até ai, tudo bem, mas não existia na Instituição Maluco Beleza um norte pedagógico, um principio filosófico que criasse objetivos comuns em toda a equipe...

Zumbi, rei de Palmares, desenhado pelos adolescentes
em atividades com o educador Jivago, na forma de grafite.
Nkosi Mukumbe. É o Nkise da guerra, das estradas 
 

Mas Jivago não desanimou, após um período de reconhecimento do espaço e do coletivo, verificou que atividades de cultura de matriz africana (afro-brasileira) junto as crianças e adolescentes para a ampliação de repertorio, estético, ético e artístico, na qual a maioria dos meninos da Instituição Maluco Beleza nunca ouviram falar, era um mote e daria pano pra manga: Escravos no Brasil? África? Pelourinho? Zumbi? Palmares? 20 de novembro consciência negra? A Lei 10.639/03...?
... muitos adolescentes na Instituição Maluco Beleza nunca ouviram essa temática. Isso era o de menos. Incrivelmente a coordenação nunca tinha se atentado no fato, de que a comunidade do entorno era composta de afro-descendentes... Daí nosso personagem, o senhor Jivago, tinha uma missão? AMPLIAR REPERTORIO DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES DESSA INSTITUIÇÃO!!! Mas antes disso Jivago foi verificar se a Instituição Maluco Beleza tinha uma Missão. Visão. Valores especificos. Algo no quadro, fixado na parede...Nada encontrou. Tinha um cronograma de atividades, mas que a coordenadora pedagógica nunca lhe forneceu maiores detalhes ou uma cópia... Jivago tinha a sensação de não pertencer a equipe, aquele lugar e que seu barco seguia um rumo sem vento; a deriva.


Maaaas, os absurdos começaram a aparecer quando o nosso personagem o senhor Jivago descobriu inúmeros instrumentos de percussão (tambores, caxixis, xequerês, maracas, agogôs, pandeiros...) empoeirando no silencio escuro de uma saleta no fundo da Instituição Maluco Beleza.... alguém ja tinha tentado algo do tipo ali... mas por algum motivo tosco, a ideia de aulas de percussão, morreu. O dinheiro publico e privado descia descarga abaixo. Mas faltava um berimbau, um texto de teatro que norteasse o pensamento geral e outros educadores parceiros e firmes na idéia de ampliação de repertório de meninada. Maaaaas isso não foi fácil!!!!! Uma ponte gigantesca separava de um lado educadores com medo de perder os empregos e do outro lado o coordenador geral, o pedagogo junto com uma carcomida e empoeirada assistente social criavam um time (jogando contra a vontade de reconhecimento identitário afro-brasileiro das crianças e adolescente da região do entorno da Instituição Maluco Beleza). Ninguem se pronunciava. 

Essa coisa toda de identidade afro-brasileira na Instituição Maluco Beleza parecia coisa do capeta. A Instituição tinha a fineze de mostrar que em sua pratica era laica, sem proselitismos... mas por entre as paredes da sala rolavam soltas as palavras da Bíblia de forma a catequizar as crianças. Jivago pensava que era importante a ampliação religiosa também, mas que se pudesse então falar do Corão, do Baghavaguita, da Torat, dos Vedas... isso ampliaria concomitantemente o repertorio cultura e artístico da galerinha. Mas tudo isso para a Instituição parecia palavras de satanás em outras línguas. Para Jivago isso parecia bullying e muito provavelmente, feria e silenciava também alguma criança que tinha a sua família devotos da MESA BRANCA, KARDECISMO, DO CANDOMBLÉ, UMBANDA... Nem pensar em falar em Ser Negro filho de Reis Africanos. NÃO PODE!!!!

Orixá Oxossi, desenhado por Jivago e
pintado pelas crianças da Inst. Maluco Beleza.
Orixá Xangô, desenhado por Jivago e
pintado pelas crianças da Inst. Maluco Beleza.


Orixá Obá, desenhado por Jivago e
pintado pelas crianças da Inst. Maluco Beleza.


NÃO PODE!!!! esse era o texto. "Não pode" fixar quadros dos jovens nas paredes, "não pode" pintar em cima das mesas, "não pode" jogar futebol, "não pode" correr, nem gritar, não pode subir pra beber água pois a chão ja foi limpo... NÃO PODE!!!! Sabotagem com toque refinado de perfume francês hipnotizavam os educandos (crianças e adolescentes) e calando o infinito universo criativo dos educadores e colocando-os para realizar atividades de entretenimento (construindo assim, casinhas feitas de palitinhos de picolé, miniaturas de arvores de natal, pintar o homem aranha, brincar com bonecar Barbie, assistindo filmes ou coreografias com fundo musicais americanizados). Arnold Schwarznegger, Rambo, Bob Esponja e Tartarugas Ninja fazem parte do repertorio de filmes na Instituição Maluco Beleza e a equipe de educadores estava totalmente vendida, apavorada e com muito medo das ações silenciosamente ardilosas da coordenação. Assim foi feito o Halloween, pintaram desenhos de aboboras com caras de mau, desenharam bruxas voando em vassouras e jogos de entretenimento. O nosso personagem Jivago não sabia o que dizer, era uma luta solitária...sem equipe. Sobre os filmes Jivago pensou no premiado filme Kiriku, também no filme O Pequeno Principe e no filme Os Sem Floresta. Mas até ele, Jivago, era cego. Porque nada disso era genuinamente brasileiro. Eram todos cegos em tiroteio!!!! 



Tiroteio? Nessa mesma época, na "comunidade" ao redor da Instituição Maluco Beleza, policiais entraram atirando a procurar de criminosos e acertaram, matando uma senhora de idade. (Era avó de uma das crianças da Instituição). Nessa mesma noite a população se revolta incendeia micro-ônibus, queima madeiras, tabuas e pneus velhos interditando o transito de avenidas principais... no dia seguinte, tudo esta super tenso no bairro Beleza Beleza. Dois adolescentes trazem para a Instituição projeteis de bala de borracha e marcas pelo corpo desses tiros como troféus. Isso tudo acontecia muito perto das salas de atividades, sem contar com o cheiro de maconha matinal que não parou no dia seguinte. Mas esse roteiro de teatro, essa cena de novela, podia muito bem ter acontecido no seu bairro caro leitor.



O nosso personagem Jivago pensou que podia (na sala de atividades) colocar a temática da violência em pauta e discutir juntos aos adolescentes o que se relatava nos jornais, o que a policia falava e as famílias sentiam... era um prato cheio para o desenvolvimento do jovem cidadão... direitos, deveres, pertencimentos...perdas...dores, nas construções e resignificados... o que podía produzir Jivago artística e educativamente juntos com os meninos? Que olhar seria esse!? Mas a Instituição Maluco Beleza não se pronunciou e nem apoio a idéia do debate. A coordenação assustada, apenas solicitou que toda a equipe fosse embora mais cedo da Instituição Maluco Beleza para não criar outros problemas e vítimas. Mas Jivago ficava pensando sobre a criança que, no final da tarde, no termino das atividades da sala, pegava seu caderninho e ia embora por entre as veias e vielas da comunidade (favela) sozinho. Qual era mesmo a preocupação da coordenação???? Hummmm... ir embora, se mandar...


Em meio a mortos e feridos Jivago propunha aos adolescente a criação de texturas de motivos africanos, uma técnica abstrata e lúdica para acordar do subconsciente questões adormecidas. Essas ilustrações e pinturas Jivago fixou na parede do fundo da Instituição (na qual a rapaziada "puxava um fumo"). Os adolescentes e crianças de 5 a 14 anos, exalavam o odor, mas começaram a pensar o Brasil que se quer, a cidade e comunidade que se têm... e assim Jivago foi traçando um espaço lúdico e reflexivo (no muro) junto aos jovens até chegar naturalmente na negritude e africanidades deles próprios. A conversa se estendeu tanto que Jivago junto as crianças chegaram nos diversos parentes dos meninos presos: Seu "João" por trafico, dona "Maria" roubo, "José" por assalto a mão armada seguido de morte... Quase todos negros encarcerados. Daí iniciou-se os motivos de cada uma de seus parentes estarem detidos... crianças e pré-adolescentes começamos a pensar seus parentes e a família que se têm e a que se deseja. Jivago começou a pensar com aqueles meninos o futuro e essas questões sobre higienização étnico-social... Muitos depoimentos emocionantes que deveriam ser trazidos pela assistente social em reuniões de discussão de caso. Mas Jivago e seus amigos educadores não tinham reuniões. Nem de caso, nem quinzenais e nem tão pouco os educadores participavam de reuniões pedagógicas ou junto aos pais para estreitar os vínculos junto as famílias, compreender as singularidades de cada lar... O que Jivago e os educadores pareciam ser era Cuidadores e não Educadores. Definitivamente a Instituição Maluco Beleza não tinha reuniões e por esse motivo uma ponte longa distanciava e calava os educadores de uma lado e as coordenações geral e pedagógica do outro sussurravam de portas fechadas. De portas fechadas. Adivinha quem sempre esteve no meio da ponte? A criança e o adolescente... sempre de portas abertas, ávidos de saber e saborear cada atividade...mas eles eram números. Estatísticas. Nesse contexto separados com equipe fragmentada, Jivago dava inicio (em segredo junto com as crianças e adolescentes) a busca e pesquisa de seus heróis individuais. Seus heróis Nacionais. Viva Zumbi!!!!










(Veja a continuidade dessa historia aqui: www.andremustafa.blogspot.com)


domingo, 6 de setembro de 2015

MUSTAFÁ EXPLICA CIÊNCIA, ARTE E FILOSOFIA AOS EDUCANDOS

EDUCAÇÃO, CIÊNCIA, FILOSOFIA E ARTE


Se tentarmos descobrir a Origem do Universo, conheceremos a mente de Deus. A primeira pergunta que devemos nos inquirir é: Porque surgiu o universo? O Universo chegará em um fim um dia? Porque estamos aqui? De onde viemos? Porque o universo é como é? E porque o universo Existe? O Universo tem um inicio e um fim? E se tem como Eles são? É possível o Universo surgir do nada como previu o Big Ben? Existe alguma coisa antes Dessa Explosão? O que o Cientista Roger Penrose acredita é que existe um enorme buraco no espaço onde as coisas desaparecem. Então se matérias desaparecem do nada, talvez possam também aparecer do nada. Mas como existir um buraco no espaço? A resposta está na gravidade. A teoria geral sobre a relatividade de Albert Einstein, diz que a gravidade, não é apenas uma força de atração, mas que ela curva o espaço. Einstein descreve espaço e tempo como um tecido: planetas e estrelas fazem pressão sobre esse tecido e criam depressões. 


Assim Ele percebe que a gravidade não é uma força, mas as curvaturas nesse tecido. As depressões puxam objetos para dentro delas. Portanto o que vivenciamos como gravidade é a curva de espaço tempo ao nosso redor. E quando o tecido se estica a ponto de romper uma coisa dramaticamente acontece: abre-se um buraco no espaço. Um buraco onde coisas podem desaparecer. Essa cadeia tem inicio quando um estrela morre - Ela começa entrar em colapso, ficando cada vez menor e mais densa. Se uma estrela vinte vezes o tamanho do sol morre, isso tem um efeito violento sobre o tecido do espaço tempo. É um enorme pressão, tão grande que ele quase chega a se romper naquele ponto. A depressão é tão profundo que nada consegue sair dali. Nem mesmo a luz. E isso é conhecido como buraco negro. Qualquer objeto que tentar passar pelo buraco, será sugado. E no centro do buraco negro tem um centro de gravidade pura! Chamado Singuralidade. Podemos então dizer que na Singularidade o espaço e tempo terminam. A Singunlaridade é como um ralo... um buraco no espaço. Mas ao contrario poderia ser  verdadeiro? Ao invés de sugar tudo, o buraco explode para fora em uma chuva de espaço, matéria e tempo exatamente como prevê a teoria do Big Ben (a consagrada explosão que aconteceu a 14 bilhões de anos atras); Assim o universo (menor que um átomo) surgiu de dentro de uma Singularidade. Uma segunda questão é como para a expansão do universo (dessa Singularidade explodida) e porque essa explosão no fundo do buraco aconteceu? Costumavam acreditar que elétrons orbitavam ao redor de um núcleo de um átomo assim como planetas ao redor do sol, mas hoje cientista sabem que eletros surgem e desaparecem ao acaso. Eles podem até mesmo estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Em geral a gravidade não parecer ter um papel fundamental nesse mundo caótico. Entretanto no momento do Big Ben uma enorme matéria ficou reunida em um espaço minusculo portanto a gravidade deve ter exercido um papel. A Relatividade diz que nada pode existir dentro dos limite do buraco negro: tudo é sugado para dentro dele. Mas a Mecânica Quântica diz que nada está vazio. Ele está repleto de minúsculos pares de partículas que surgem e aniquilam umas as outras o tempo todo. Ondas de energia no espaço criam partículas minusculas e cada partícula tem uma ante-partícula (uma com energia positiva e outra com energia negativa). Esses pares surgem, mas colidem um ao outro.


Assim quando um par de partículas surgem na beira de um buraco negro, a partícula negativa cai no buraco e a positiva escapa como radiação liberando calor. Isso se chama Radiação Hawking. Essa revelação que algo pode escapar do buraco negro choca o mundo. No entanto a estrela Cygnus X-1 prova que a teoria existe. Então poderia alguma coisa sair do buraco negro quando ele explode? Se o buraco negro é semelhante ao Big Bem, será que o buraco negro liberaria uma ebulição de alta energia de partícula como no inicio do universo? Um buraco negro poderia ser uma mine versão do momento da criação. Mas a busca de um buraco negro no universo é realmente muito difícil. Ha uma enxurrada de raios gamas oriundo de estrelas explodindo no universo que poderia mascarar um buraco negro que também está explodindo. Toda via no momento seguinte ao Big Ben algo estranho acontece com a gravidade. Por alguma razão seu mecanismo subitamente muda e Ela fica mais fraca e isso é crucial para nossa existência hoje. Na verdade a gravidade é uma força menos compreendida na natureza. Ela é muito mais fraca o que as demais forças. Por exemplo, consideremos então o eletro magnetismo é a força que rasga nossos ceus em tempestades violentas, o eletro magnetismo também reúne átomos em tudo que vemos ao nosso redor. No momento do Big Bem os cientistas acreditam que eletro magnetismo e gravidade tiveram a mesmo força e a medida que o universo se expande a gravidade fica cada vez mais fraca. Ninguem sabe explicar esse motivo. Mas a Teoria das Cordas, criada pelo físico Michel Green representa uma mudança profunda de como pensamos o universo. Ele explica que todo o universo é feito com cordas em vibração: Uma malha, em que todos nós e tudo é feito e se movimenta em cordas. 


O mundo ao nosso redor é feita de três dimensões espaciais: largura, altura e comprimento. Entretanto Green acredita que estamos circulados pelo menos ao redor de nove dimensões. Ele acredita que essas dimensões estão ocultas em nosso visão. Mas como poderiam ter dimensões que não percebemos??? As dimensões extras estejam enroladas umas as outras: enroladas em minúsculos nós tão pequenos que não conseguimos ve-los. Mas o fato de não vermos, não significa que não exerçam um profundo impacto sobre o universo em que vivemos. Assim essas dimensões extras explicam porque a gravidade é tão fraca. Então se na hora do Big Ben a gravidade foi forte, mas então o universo se expandiu e a gravidade se espalhou nas dimensões extras enfraquecendo-se.






André Mustafá então, junto com seus educandos faz uma analogia com a musica: quando estou perto do instrumento musical, ele é alto e a medida que eu me afasto ele fica mais baixa. A musica se dispersa em diversas direções e vai ficando baixa. Mas ao invés de musica estejamos falando de gravidade e imagine que existam dimensões extras no espaço em que a gravidade pode se espalhar cada vez mais. O maior numero de dimensões no espaço significa mais direções para se espalhar, deixando a gravidade mais fraca. O fato da gravidade ficar mais fraca impede que o universo entre em colapso. Os cientistas afirma que as dimensões extras aprisionam a gravidade. O problema que nada disso foi comprovado. Isso só existe no papel. Mas se o Big Ben aconteceu uma vez, poderia acontecer novamente? Em caso afirmativo haveria outros universos alem do nosso? Bem vindos ao Multiverso diz André Mustafá junto aos seus educandos. Stephen Hawking acredita que o nosso universo está contido dentro de uma bolha, rodeadas por outras bolhas, cada uma delas contendo um universo inteiro. 

Educador André Mustafá
Campinas / SP - 2015

Então poderíamos contactar vida inteligente em outras bolhas, não apenas em outros planetas? Mas ainda é muito difícil viajar de um universo a outro, mas uma coisa é certa: SE VOCÊ CAIR EM UM BURACO NEGRO, NÃO DESISTA, VOCÊ CONSEGUE SAIR DELE.

(Texto baseado em estudos científicos sobre a expansão do universo).

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ANDRE MUSTAFÁ NA FORMAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES




André Mustafá criando mandalas


Minha aproximação com as crianças de 5 a 10 anos de idade, deu início com a pintura e posterior construção de mandalas. As mandalas (para o trabalho de Mustafá) criam um espaço intimo com o educando fortalecendo vínculos, criando o equilíbrio e a desarmonia de cores, formas e texturas. As mandalas enunciam se a criança tem um nível "X" de organização pessoal.
 
 Posteriormente realizei a mesma atividade de criação de mandalas com educandos de 12 a 15 anos. Aqui é possível traduzir o universo sensorial dos adolescentes e o estado energético e suas matizes.
Adolescentes e crianças, educandos de André Mustafá,
construindo mandalas para reorientar suas cores internas.


 Após o trabalho de uma semana com as três turmas de crianças e adolescentes, desenhando, pintando e recortando suas mandalas, resolvi decorar a parede do refeitório dessas crianças... aquele lugar precisava de cor! de alegria! E mais ainda, de uma espaço de apropriação feita por Eles. Com a carinha deles... Não deu outra: todos adoraram!!!!! Ficavam comendo suas refeições e comentando com seus coleguinhas.

O próximo estágio era saber até que ponto as formas circulares das mandalas podem revelar mundos perdidos (ou pouco visíveis a olho nu): Iniciamos com a construção de mandalas em suportes diversos e folhas secas; ampliando assim o repertorio dos adolescentes e das crianças.



Mandala presenteada por uma
 das crianças à André Mustafá.

O interessante de tudo foi receber, pela manhã bem cedo, a chegada de todas as crianças e ver uma delas chegar ao meu lado e me presentear com uma mandala que ele fez junto a sua irmã: ela não era desenhanda e nem pintada: ela era recortada!!!! Uaooooo!!!! foi muito lindo meeesmo. Vi que meu trabalho tinha chegado na casa.... no coração das famílias. Vi que essa mandala poderia muito bem ser molde vazado para as pinturas das mesmas nas camisas.
 

 

Partimos do trabalho individual das mandalas para a construção coletiva da "Arvore dos Desejos" onde nas folha são escritos os desejos (para o futuro) de cada um do grupo. Aqui iniciamos uma segunda parte de meu contato como educador de crianças e adolescentes: o espaço em que poderei no futuro propor atividades coletivas em que envolva muito mais seus desejos, sonhos, frustrações e conquistas.



"Arvores dos Desejos" feitas pelo professor André Mustafá,
 crianças e adolescentes de 05 à 15 anos

Desenhos de André Mustafá
Desenhos de André Mustafá
Desenhei alguns imagens referente a primavera e assim retomei as atividades individuais, mas agora com um alto nível de observação pessoal das crianças e adolescentes, sobre eles próprios e as suas pinturas. Observar o coleguinha pintando despertava outras formas de ver e fazer a pintura. Basicamente essa analise focava-se sobre a cor e suas composições em desenho pronto.
Educandos de André Mustafá
em atividades de pintura.
Adolescentes orientados pelo educador
André Mustafá, iniciam as pinturas
 de paisagens.


Adolescentes orientados pelo educador
 André Mustafá, fazem também adereços
para o espetáculo que estão escrevendo.
Esse é o "mapa do tesouro".
Deixando as crianças e os adolescentes mais a vontade nos estudos de forma, cor e composição... e também mais confiantes com a minha presença, demos inicio a construção de um espetáculo (de escritura coletiva), na qual cada fala, cada paço, gesto, cada riso, cada pensamento dito alto, gargalhada e  brilho no olhar está vindo deles e se misturando no espaço tempo do universo do teatro: o agora! Já!





 

André Mustafá junto com os educandos construíram também mascaras de papel machê para algumas cenas do espetáculo. O intuito aqui com a construção de um espetáculo é criar autonomia intelectual e liberdade artística para pensar o roteiro, as cenas, falas... além de figurinos, cenários, maquiagens, adereços e tudo o mais que permeia o espaço dramático da cena.















O educador André Mustafá deu inicio também a um processo mais longo que é o da maquiagem. Pintar o rosto para os menores de 6 a 9 anos já é bem mais criativo, mas o processo com os adolescentes nem sempre é fácil. O processo de pintar o rosto é de despir-se, de entrega e assim de confiança plena e reciproca de educando e educador, de toque, paciência para a maquiagem ficar pronta e de ressignificar o rosto quando olhado no espelho. Depois de pronta se divertir, gritar, pular e inventar (a partir da pintura no rosto) um personagem... mimetizá-lo. Isso é o germe do teatro!!!


 
O educador André Mustafá, ensinando a técnica de papietagem no cenário para
os adolescentes de 12 a 15 anos.


     

O cenário foi composto de duas faces: a primeira era a cidade amontoada e suja e
a segunda face era a cidade ideal; com casas grandes e arejadas e muitas flores e campos verdejantes.
O cenário foi feito de caixas de papelão e a ideia era em dado momento do espetáculo os próprios
educandos-atores pudessem vira-lo, em conjunto com uma musica ou cena: daí tínhamos a
continuação do espetáculo com a "virada dramática" da historia.